segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Muitos pensam que o vinho do Porto ganhou esta designação porque anda de porto em porto...

Defende que, mesmo neste contexto, Portugal tem de trabalhar na imagem que projecta lá para fora. Na sua opinião, como se poderia construir a marca do país?

Uma área que facilmente poderia projectar Portugal é o vinho. É uma área em crescimento e da qual todos gostam. O único sítio do mundo onde se pode fabricar vinho do Porto é em Portugal. O Douro é uma região demarcada há séculos e não percebo porque é que ninguém no mundo ainda reparou nisso. Muitos pensam que o vinho do Porto ganhou esta designação porque anda de porto em porto, da cidade do Porto para o Reino Unido. As pessoas não sabem. E sabem que o champanhe é produzido em França.

Para além do vinho do Porto, que outra áreas podem “vender” Portugal?

As energias renováveis. Se olharmos para qualquer estatística Portugal está nos primeiros lugares da produção de energia solar, eólica, co-geração... Penso que agora é preciso que alguém crie a imagem de Portugal como o centro mundial das energias verdes. Teria um impacto no sistema de educação, na investigação e desenvolvimento, na atracção de universidades e de investimento.

É uma questão de comunicação?

Não só. É uma questão de parcerias entre o sector privado e o público. Teria de ser um projecto de importância nacional. E tem de ser feito hoje. Esse lugar, de centro mundial das energias verdes, ainda não está ocupado. Um qualquer país que faça seminários, publique artigos de investigação e crie um logótipo interessante vai tirar o lugar de Portugal.

Portugal sempre investiu em campanhas de promoção externa, nomadamente do turismo.

Ainda bem que fala nisso. O problema é que não se percebe onde está a marca Portugal. Perdeu-se. Espanha teve imenso sucesso com aquela imagem do Miró [o símbolo oficial do turismo espanhol foi feito pelo pintor Joan Miró em 1983] e agora já nem a precisa de usar. Precisavam de concentrar-se numa marca. Não basta fazer publicidade na CNN. Devem focar-se nos principais mercados europeus.

A mais recente campanha de promoção externa apresenta Portugal como a Costa Oeste da Europa e aposta nas energias renováveis.

O que é que as energias renováveis têm a ver com turismo?

O objectivo é mudar a percepção que se tem do país. Também mostra retratos de Cristiano Ronaldo e de José Mourinho.

Isso é interessante. Li um artigo numa revista de renome sobre a transferência do Cristiano Ronaldo para o Real Madrid. Dizia que o jogador era muito popular em Espanha, mas que o seu estilo hispânico lhe dava popularidade global... Ele é português! Também não se devem misturar temas como as energias renováveis e figuras públicas. Ou seja, a mensagem tem de ser clara.

Entrevista a Anupam Prakash ao Público, consultor da Hewitt Associates e especialista em globalização.

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