quinta-feira, 13 de agosto de 2009

"Durante nove meses a viajar pelo país tenho dormido a maior parte do tempo fora de casa, sempre em hotéis, pensões ou residenciais. Já foram cerca de 200 noites em alojamentos pagos, o que me permite tirar algumas conclusões sobre o alojamento hoteleiro de média dimensão em Portugal:

  • Hoje em dia, todos os alojamentos têm casa de banho privativa;
  • A água do duche raramente está à temperatura e à pressão de que gostamos;
  • Por norma, as toalhas de banho são sempre mais curtas do que os toalhões lá de casa;
  • No Inverno, nenhum hotel utiliza lençóis de flanela nas camas;
  • É frequente haver pelo menos um canal ou comando de televisão que não funciona;
  • Senti falta de um hotel em que a hora limite de saída não fosse o meio-dia. A alternativa para este caso podia ser um motel mas, ao contrário do que acontece noutros países, os motéis em Portugal estão bastante conotados com encontros sexuais.
  • Encontrei apenas dois hotéis que ainda têm a Bíblia na mesa de cabeceira.
  • Vários hotéis fazem marketing ambiental colocando um aviso nos quartos para que seja o cliente a decidir quando pretende ou não a troca de toalhas e lençóis. Em todos os casos, respeitei sempre a indicações dos panfletos, mas o meu desejo não se concretizou. Trocaram-me a roupa da cama e as toalhas mesmo quando dei indicações para não o fazerem. Ouvi várias explicações: Desde o «é política da casa trocar os lençóis todos os dias» a um «estamos a trabalhar para ter a certificação ambiental». Ora, se o cliente respeita as indicações sugeridas pelos panfletos e essa vontade não é correspondida, para que servem afinal os papéis onde os hotéis apregoam ser amigos do ambiente?
  • Raramente reservei hotéis. E quando o fiz foi sempre por telefone, nunca pela internet.
    Os preços são díspares e bastante aleatórios. Houve casos em que percebi que o preço foi estipulado pelo meu aspecto e pela maior ou menor simpatia que tive na abordagem à recepcionista.
  • Muitos hotéis fazem o chamado preço de empresa (descontos quando a factura é passada em nome de uma empresa). O mínimo que paguei foram 20 euros e o máximo 80. A média anda nos 35/40 euros por noite.
  • Há hotéis que cobram preços por quarto (independentemente do número de pessoas), outros pela quantidade de pessoas e outros ainda pelo tipo de tipo de cama (individual ou de casal).
  • A classificação dos hotéis em Portugal, apesar de estar legislada, é confusa. Há alojamentos de 2 estrelas que parecem ter 4 e hotéis de 3 que mais parecem pensões baratas.
Caricato: fiquei uma noite num hotel de três andares em que não havia recepcionista. A porta principal ficou fechada, sem que ninguém estivesse a zelar pela segurança dos hóspedes. Antes de me deitar deram-me um número de telemóvel para eu ligar, caso houvesse algum problema durante a noite... e explicaram-me que, dado haver pouco movimento, a família proprietária do hotel ficava em casa, que era «já ali ao cimo da rua». Felizmente dormi sem sobressaltos!"

Na TSF Online, Fim da Rua, por Rui Miguel Silva

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